O Legado de Katerine Dumont

Katerine Dumont provocou uma revolução na literatura de horror e terror, pois pela primeira vez na história o gênero é recriado pela inserção do conceito de tempo em toda a sua extensão e possibilidade, ou seja, o cronologicismo é a filosofia literária que declara que o ser humano é particularmente escravo do tempo e completamente insignificante em relação à sua existência, ao finito e ao infinito, buscando assim uma libertação da escravidão cronológica do homem completamente aterrorizado pelo tempo; sua origem histórica está catalogada no livro Filhos das Trevas de Katerine Dumont, mais especificamente no Vol. I, no conto intitulado O Manuscrito de Voynich, que narra a história do livro perdido, que permitiu a libertação do demônio Avert que deu início à morte do sol e levou a galáxia às trevas, e que fora deslocado no tempo do ano de 1.500.001.997 d. C para o ano de 1400, ressurgindo no altar de uma igreja num vilarejo da Itália. Esta é a primeira vez na história da literatura em que o gênero de horror insere em sua narrativa a viagem no tempo. O horror ficcional bem como a própria literatura de ficção científica já existia desde Frankenstein, mas o horror cronológico, que insere o tempo no horror através da ficção científica, falando de uma história de horror que inclui viagens no tempo, isto só nasce com o horror de Katerine Dumont.

Posteriormente o tema reaparece no livro Mente Diabólica, mais especificamente no Vol. I, no conto intitulado Cronofobia, que narra a história de uma mulher que sofre de uma patologia caracterizada pelo medo irracional do tempo; o que a leva a ter comportamentos bizarros, como por exemplo, num primeiro momento, fixar seu olhar no espelho vendo horrorizada o tempo em seu corpo se manifestar; num segundo momento a mulher se tranca em seu quarto no escuro com um protetor de ouvidos, a fim de que não visse na luminosidade do dia-a-dia a manifestação do tempo, e que não ouvisse do som diário da rua a manifestação do tempo; e numa terceira e última fase, a mulher começa a pesquisar formas de se burlar o tempo e então, ao descobrir a teoria da relatividade de Einstein, ela simplesmente começa a correr todos os dias para que, movimentando-se, o tempo passasse mais devagar para ela, chegando ao ponto de obrigar seu marido a andar com ela de carro durante a madrugada enquanto ela dorme, a fim de se manter em movimento constante e, assim, fazer com que o tempo passe mais devagar para ela, que posteriormente é morta por um assassino em série que se utiliza desse medo para matá-la em um galpão velho onde ela está presa a uma grande caixa de madeira cheia de relógios, o que lhe causa grande medo e repulsa, incluindo no gênero de horror uma psicologia profunda que explica analiticamente a causa inconsciente das fobias mais bizarras da história da humanidade, podendo ser denominado de horror psicanalítico H {P}, que é diferente do horror psicológico de Edgar Alan Poe que, pois se caracteriza por explicações psicológicas inconscientes profundas sobre o comportamento humano. O horror psicanalítico é um gênero literário que se volta menos aos condicionantes exteriores, social e cultural, como é expresso genialmente na obra de Poe, e mais às causas inconscientes das ações humanas, a relação da letra com o inconsciente e suas manifestações oníricas, algo que Poe não poderia ter realizado, já que em sua vida ele não testemunhou o nascimento da psicanálise, tendo morrido em 1849, enquanto que Freud só publicou a Interpretação dos Sonhos em 1900.

Em seguida o horror cronológico ressurge no Vol. II de Os Filhos das Trevas, mais especificamente no conto intitulado O Horror Cronológico H {C}, em que um inventor de uma máquina do tempo, estudando formas de se inventá-la e analisando suas consequências cuidadosamente, mas nem tanto, chega a duas conclusões: primeira, uma máquina do tempo só seria possível se fosse virtual, e não real, caso contrário o viajante no tempo só poderia retornar ao passado até o exato instante em que ligou a máquina do tempo, sendo a construção da máquina do tempo real limitada a origem da própria máquina do tempo, e posteriormente o inventor se depara com a mais sombria de todas as descobertas físicas e epistemológicas, em que, mesmo a máquina do tempo virtual, só conseguiria viajar para o passado até o instante em que surgiu o tempo verbal promovido pela aquisição evolutiva da fala, pois este momento histórico marca o nascimento da própria linguagem que estruturou a possibilidade da invenção da linguagem de programação necessária para se criar uma máquina do tempo, e pela primeira vez na história o homem se depara com um fato amedrontador: as suas maiores perguntas existenciais como, por exemplo, quem sou? De onde vim e para onde vou? Permanecerão para sempre um problema filosófico sem solução, levando o homem a consciência de que jamais saberá quem o criou ou como se deu sua origem, tornando-se tenebrosamente limitado e incompleto onde não é possível ultrapassar o conhecimento dos fatos históricos antes da origem primitiva da linguagem que permitiu a criação futura de uma máquina do tempo, já que esta é estruturada por uma linguagem que permitiu a criação de símbolos e formou o universo simbólico que permitiu toda a programação da linguagem computacional que fundamentou a existência da máquina do tempo, deste modo, mesmo com a máquina do tempo, querer ultrapassar os limites da origem da linguagem é a mesma coisa do que querer viajar no tempo para o passado e ir para antes da criação da própria máquina do tempo, ou seja, não é possível.

Katerine Dumont também parece ser creditada por dar início a um tipo de horror histórico H {H}, que não é aquele que é baseado em fatos reais, mas sim aquele que tem como pano de fundo um fato histórico, que, nas obras de Katerine Dumont, é demonstrado através dos contos de horror e terror que tem como pano de fundo a origem primitiva da linguagem e a história do Brasil, em especial, a invasão de Pindorama e o movimento da Cabanagem no Pará. O horror histórico é um tipo de literatura de horror que mistura história e ficção, reconstruindo de forma fictícia os acontecimentos, costumes e personagens históricos. Ela também reinventou o horror psicológico de Edgar Alan Poe e o transformou em um horror psicanalítico, com explicações mais profundas entre a letra e o inconsciente de fobias bizarras. Katerine Dumont deixa a sua marca na história da literatura de horror por conseguir revolucionar o gênero ao criar quatro novos subgêneros da literatura de horror: o horror cronológico, o horror psicanalítico, o horror histórico e o horror matemático. E, por fim, Katerine inovou ao inventar o gênero de horror matemático H {M}, que tem a matemática como tema fundamental para as história de horror e terror, e surge na obra de Katerine Dumont no livro Matemática de Horror. Katerine Dumont, portanto, deixa a sua assinatura na história da literatura de horror ao reiventar o gênero ao inventar mais quatro subgêneros da literatura de horror: o horror cronológico, psicanalítico, histórico e matemático.

Moara Guayi

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